Teremos mesmo que trabalhar 8 horas por dia?
nem sempre mais é melhor

Trabalhar, Trabalhar

Teremos mesmo que trabalhar 8 horas por dia?

Fiz esta pergunta a mim mesmo quando fazia umas 16h de trabalho por dia, depois de ter iniciado a empresa e depois de tudo o que aconteceu inicialmente, tal como revelei neste artigo. Se fosse hoje teria feito igual, pois ou era isso ou a empresa “morria”, mas tal como temos que saber quando nos temos de esforçar, também temos que saber quando parar para que não nos tornarmos num workaholic (viciados no trabalho).

Trabalhar das 9 às 6 é a rotina mais comum para a maioria das pessoas. Levantar, despacharmos-nos, para quem tem filhos, despachar os filhos e eventualmente ir pô-los à escola, ir para o trabalho fazer a sua parte e voltar ao fim da tarde para casa, sendo que muitos acabam por fazer mais do que as 8h diárias – sendo que muitos acabam por nem ser recompensados por esse trabalho extra.

No entanto, torna-se óbvio para a grande maioria que, trabalhar mais horas, não significa maior produtividade.

Então vamos lá a um pouco de cultura geral, como é que isto de trabalhar 8 horas por dia começou?

O movimento para trabalhar 8h por dia começou com a revolução industrial no Reino Unido, no século XIX. Para maximizar as suas linhas de produção nas fábricas, os empresários precisavam de organizar horários fixos para os seus trabalhadores.

Curiosidade:

  • As condições de trabalho eram terríveis: entre 10 a 16 horas de trabalho por dia, durante 6 dias da semana, sendo que a idade média com que se começava a trabalhar numa linha de produção era aos 10 anos de idade

Por volta de 1817, o reformista Robert Owen fez uma campanha para que todos trabalhassem 8 horas por dia e a campanha tinha o seguinte slogan:

Eight hours labour, Eight hours recreation, Eight hours rest.

(Oito horas de trabalho, Oito horas de diversão, Oito horas de descanso)

Mais tarde (bem mais tarde), já em 1926, Henry Ford implementou as 8 horas de trabalho diárias. Mas para além de reduzir as horas de trabalho, ainda duplicou os vencimentos, resultando para a Ford num aumento de produtividade e no dobro do retorno em termos de lucro, em sensivelmente 2 anos.

Mas então, porque motivo é que actualmente se coloca em questão se as 8h de trabalho são efectivamente a melhor opção? E porque motivo se julga que trabalhar menos que 8h trás maior produtividade?

O caminho para a felicidade e prosperidade encontra-se numa redução organizada da carga horária.

– Bertrand Russel

Colocando a questão de forma simples, actualmente as 8h de trabalho não se adequam aos tempos modernos.

O negócio é confundido com produtividade, e trabalhar demasiado na realidade só causa é:

  • Exaustão
  • Falta de empenho/dedicação
  • Baixa produtividade
  • Stress e frustração

Quem é que, em determinado momento, não se defrontou já com um comentário semelhante a este:

Hoje não tive produtividade nenhuma e passei x horas a trabalhar…

Isto, obviamente, pode dever-se a questões pessoais e motivos que não o trabalho, mas na maioria dos casos deve-se à exaustão, ao cansaço, pelo trabalho em excesso.

Então, qual é afinal o melhor padrão para trabalhar?

Ao trabalharmos apenas quando somos mais eficientes, a vida subitamente torna-se mais agradável e mais produtiva. É o exemplo perfeito de ter um bolo feito por si e come-lo também.

– Timothy Ferriss

  • 90-120 minutos: o período de tempo que o nosso cérebro consegue manter-se focado, até necessitar de uma pausa de sensivelmente 20 minutos para recuperar
  • O ritmo ultradiano: este ciclo está presente durante o sono e enquanto estamos acordados

Para maximizarmos a produtividade, devemos encontrar um padrão que nos permita:

  • Organizar as tarefas mais exigentes para os períodos de maior produtividade
  • Focarmos-nos numa tarefa de cada vez e evitar as multitarefas

Três exemplos de padrões de trabalho

Existem inúmeras alternativas espalhadas por vários estudos e publicações, mas quantas e quais realmente funcionam?

Pois bem, eu fiz o trabalho de casa e cheguei à conclusão de que estas são três potenciais alternativas que podem melhorar a produtividade e o bem estar:

Sistema de intervalos de 15 minutos

  1. Planeie duas pausas de 15 minutos durante o seu dia de trabalho
  2. Faça uma pausa a meio da manhã e outra a meio da tarde
  3. Ler, desenhar ou meditar são tarefas que ajudam a relaxar

Dica: sabia que os estudos demonstram que, em média, as 15:00 são as menos produtivas do dia? Portanto, por volta desta hora é o momento ideal para fazer uma pequena pausa e recarregar energias – começo a pensar que os nuestros hermanos é que sempre tiveram razão com a siesta.

Sistema Pomodoro

(Pomodoro é o nome italiano de um molho de tomate, normalmente usado em massas. Mas é também o nome dado aos temporizadores em formato de tomate)

  1. Um “pomodoro” consiste em 25 minutos de trabalho / 5 minutos de descanso
  2. Faça 4 pomodoros (100 minutos de trabalho com 15 minutos de descanso)
  3. Depois, faça um intervalo maior de 15/20 minutos

Dica: Após um pomodoro, marque o progresso que fez e que registou numa lista, com um X, assim como todas as vezes que sentir vontade de procrastinar (adiarmos o que temos por fazer para mais tarde).

Sistema da janela de 90 minutos

  1. Separe o dia numa lista de tarefas, cada uma com 90 minutos
  2. Foque toda a energia e atenção nessa única tarefa durante os 90 minutos
  3. Após 90 minutos, faça uma pausa de 20 minutos

Dica: Para garantir total concentração durante os 90 minutos, evite distracções como redes sociais, SMSs e até mesmo emails.

Claro que estas são apenas três de muitas formas que existem para podermos melhorar a nossa produtividade, cada um terá que encontrar por si a forma que se adapta melhor a si mesmo. O importante é ir experimentando até encontrar um método que funcione.

Isto trás toda uma nova perspectiva à vida moderna, em que o que importa é a gestão e canalização de toda a nossa energia para o tempo enquanto trabalhamos e não o tempo de trabalho.

Um dia ideal de trabalho tem sempre que ser correctamente balanceado entre o individuo e a equipa com que este colabora – é importante acabar com reuniões demasiado extensivas e até mesmo acabar com aquelas que acabam por não resultar em nada, trabalhar de forma transparente e melhorar a comunicação.

Já experimentou alguma destas técnicas? Usa outro método de trabalho? Partilhe connosco a sua experiência comentando este artigo.

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